Pronto: virei vegetariana. Quer dizer: parei de comer carne vermelha. Quando você pensa que mais nada podia acontecer, sim, você ainda pode fazer algo radical. Tipo parar de comer picanha mal passada, coisa que até alguns meses nem passava pela sua cabeça.
Depois de passar por uma consulta com uma médica ayurvedica, pra fazer uma pequena desintoxicação do fígado (e um emagrecimento rápido), ela revela: "você não deve comer carne vermelha. nem peixe. no máximo frango e peru". E o polvo? E os camarões? E as salsichas?!??!?!?! Nada feito. Você resolve tentar, afinal não te custa (ainda mais depois de pagar a consulta da doutora).
E não é que você consegue? E a partir daí passa a frequentar restaurantes vegetarianos e pedir frango quando vai ao Sujinho. Daí você come um cheesburguer depois de voltar da balada. E passa mal no dia seguinte inteiro. Só faltava essa! Agora, mesmo que você queira voltar a comer um bife, seu corpo não aceita mais! Você virou uma moça franguinho grelhado! Muitas saudades da picanha, do filé mignon, da carne moída, pizza de calabresa....
"Como a gente se vestia mal nos anos 90", confessa o Dengue, da Naçao Zumbi, amigo desse coletivo desde sempre. "A gente se achava incrível com aquelas roupas, e vocês também. Vocês também se vestiam muito mal", solta o mano na madrugada chuvosa do Rio. A amiga D continua. "E aquelas camisolas? Como a gente saía daquele jeito na rua? A gente queria chocar, eu acho, e isso é até legal". "Mas a gente nem sabia ser brega de verdade, éramos bregas mal vestidos", pensa em voz alta o Dengue.
Lembro do VMB em que me achei linda com uma camisola, uma meia três quartos e uma plataforma. E eu tinha cabelo rosa, claro. Mais de dez anos depois..."Agora a gente tá muito mais elegante", diz o Dengue. E nos anima cinco da manhã, porque não há mulher nesse mundo que não goste de ser chamada de elegante. "Hoje a gente é clássico", conclui o amigo.
E, claro, roupa não é nada que importe tanto. O que importa é poder rir de si mesmo, te lembranças e ter história. E continuar pronta para o pogo dez anos depois. Yes. (Nina Lemos)
O candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, decretou : selinho para todos!! Na convenção do partido que aconteceu ontem, ele resolveu marcar sua campanha dando um beijo na boca da mulher do vice-presidente. Isso é que é uma pesssoa avançada, com novas idéias.
E o selinho, convenhamos, é uma instituição que tem que ser incentivada. Com sua vitória, Obama vai transformar os Eua. Os soldados americanos que estão espalhados por todo o mundo para fazer o bem e meter a porrada, mudarão de práticas. Ao invés de sufocarem as pessoas com sacos plásticos, darão selinhos. E deixarão de dar sopapos, chutes, socos e pontapés para fazer trabalho de corpo e contato e improvisação com a população dos países de terceiro mundo.
Afinal, um selinho não faz mal a ninguém! E uma democracia verdadeira se faz com a distribuição de afeto! Se joga Obama! E Zé Celso para vice.
Quem nunca distribuiu seus selinhos por aí que atire a primeira pedra. Quer dizer, que distribua, pois não sabe o que está perdendo!
É assim. Você é uma pessoa livre para consumir e usar a tecnologia. Por isso tem um Blackberry que te permite entrar na internet de qualquer lugar onde estiver. E também tem a "liberdade" de ficar viciada e presa a esse aparelho. E a TIM tem a liberdade de cortar seu telefone e te acusar de não ter pago uma conta de abril. E de te deixar com síndrome de abstinência em pleno domingo.
Você tem a liberdade de usar o telefone onde bem entender. E pagar caro por isso. E, claro, quem precisa de um telefone para viver (mesmo no domingo) não é exatamente livre. E o que a companhia de telefonia faz? Ah, pode-se tudo nessa era pós Jetsons, não? Até cobrar duas vezes uma conta. E cortar o seu telefone por causa disso. E você pode espernear, chorar e gritar. Eles só vão resolver parte do problema quando você fizer uma ameaça de processo.
O capitalismo é mesmo super legal. E o que você faz depois de brigar com a operadora cafajeste e pensar nisso tudo? Tem um ataque de pânico. Daqueles de verdade. E as pessoas ainda têm a liberdade de pensar que você é louca por isso.
O ginasta foi lá e caiu. Ele estava fazendo tudo certo. Mas no final caiu. De bunda. Em um dos dias mais importantes da sua vida. Caiu sentado. Coitado. Pobres dos ginastas, já que eles não podem cair (literalmente) porque são desclassificados. Imediatamente.
Todo mundo cai. Outro dia caí na hora errada (e existe hora certa?). Eu tentava manter a moral no meio de uma reunião familiar e mostrar que lançar livros podia ser tão importante (pelo menos para mim) quanto ter filhos. E bem na hora em que disse, apontando, para um parente: "você tem que ir ao lançamento do meu livro porque visitei seu filho na maternidade" o sofá virou. Além de ter feito uma comparação patética, dessas que a gente só faz em reuniões de família, fiquei sem moral caída no chão com o sofá em cima de mim. Todos riram. Principalmente eu.
Já caí no meio de um evento de moda de cara no chão, bem nos pés de uma famosa editora de moda. Já caí da escada da minha própria casa e quando vi estava sozinha no meio da sala sem ninguém para me ajudar a levantar. Também já caí no choro em horas erradas, do salto. Já caí em roubadas, em mentiras, em furadas. E, claro, de amores por pessoas "erradas".
Eu sempre caio. E você também sempre cai. Certeza.
A diferença é que não somos desclassificados. Ainda bem que o meu plana de ser ginasta durou duas aulas. E só. Caí.
Dia 15 de agosto, sexta-feira, é o Dia do Solteiro. Será que alguém vai comemorar essa data estranha?! Os solteiros vão fazer trocas de presentes, tipo no Dia dos Namorados? Ou será que os solteiros vão correr atrás de um pretê - e assim deixarem de ser solteiros?
Afinal, uma das coisas que mais os solteiros perseguem durante toda a vida é deixar de ser solteiro. Encontrar alguém, um pretê, um passante, um amor da vida, para passar algumas horas, ou quem sabe o resto da vida. Mas de qualquer forma, a maioria das pessoas vai passar a maior parte de sua vida solteira. Por isso, gostar da solteirice é bom.
Já comemorar....meio cafona, né? Será que é uma vingança contra o Dia dos Namorados?
Essa segunda, dia 11 de agosto, estréia na rádio Oi FM (em São Paulo 94.1; em Belo Horizonte 93.9; em Fortaleza 101.7; em Recife 97.1; no Rio 102.9; em Uberlândia 101.9 e em Vitória 105.7)) o programete Central 02 Neurônio. São duas pílulas diárias com Nina, Raq e Jô.
Tudo começa com o telefonema de uma amiga. “Minha vida tá um inferno, estou reformando o banheiro e minha casa e virou um caos.” Pronto. Cinco minutos depois quem está dentro do inferno é você, que começa a pensar sem parar: “ o que estou fazendo da minha vida, eu nunca reformei um banheiro!”. Você começa a se sentir um lixo. E olha que ainda são onze horas da manhã.
O próximo passo é fazer uma lista mental de tudo aquilo que você nunca experimentou, todas aquelas coisas adultas e práticas. Nunca fez uma reforma. Nunca comprou uma casa. Prefere sonhar em morar na Europa, sua irresponsável!
Tem vezes em que é preciso muito pouco para entrar em um inferninho particular. Muito pouco. Apenas uma frase. Detalhe. Você nunca na vida teve vontade de reformar um banheiro. E, graças aos canos, nunca precisou. O ser humano é louco. E o inferno, como diz a canção, tem mil entradas.
PS. Quem reforma o banheiro é, claro, a moça que conta seu drama abaixo.
Uma das coisas mais chatas do mundo adulto é a reforma da casa. Ou de um cômodo da casa, mais especificamente o banheiro. Um lugar que você passa pouco tempo do seu dia, mas que quando você vai ver, pode custar muito, mais muito caro.
Mas você quer uma reforma baratinha, copiada de um banheiro da revista. Nada muito caro, nenhum material nobre tipo mármore ou banheira de hidro. E quando você faz o primeiro orçamento, quase cai pra trás! Afinal, você não tinha idéia de que uma pastilha de vidro que mede 2cm X 2cm pudesse custar tão caro!
E a reforma transforma a sua vida num périplo entre Telhanorte, Casa e Construção, depósitos de material de construção e lojas de revestimentos. Você sabe o valor de vários materiais, de pedra pumex até canos de cobre. Passando por louças e metais, lavatórios e assentos de privada.
E depois de gastar alguns bons reais, você pensa que está livre desses lugares, o pedreiro dá a triste notícia: "Dona Raquel, entregaram os canos errados. Esses são os de 15cm e eu preciso dos de 22cm". E você vai novamente para a Telhanorte, com 5 canos de cobre de 2,5m, fazer uma troca. Você virou uma mulher Telhanorte!
E não percam: a partir do dia 11 de agosto novidades radiofônicas do 02 Neurônio!!!
Atenção, atenção . Está sendo celebrado - neste dia 31 - o Dia do Orgasmo. Caso você não tenha tido nenhum orgasmo nas últimas vinte e quatro horas, o Dia do Orgasmo fará você ficar deprimido. Se sentindo um looser sexual. Corra, ainda dá tempo. Afinal, quem tem dedo, tem orgasmo. Este tipo de datas comemorativas, aliás, serve para isso. Para oprimir alguma parte das pessoas. Ficamos regulando nosso orgasmo, pensando se a gente está gozando o suficiente, se fingimos nos últimos seis meses ou não, se estamos impressionando bem a pessoa amada (e, me entendam bem, a pessoa amada pode ser um passante). Você vai ficar para trás? Não seja um looser. Goze já.
Uma sacanagem obrigatória, rápido! Ou você quer ficar na metade (quer dizer, nos sete oitavos) triste do mundo? Não perca tempo. Chuveirinho, indicadores, ex-namorado, sujeito estranho assediando no ônibus. E quando tiver o seu orgasmo, comemore. E compre um telefone celular para ele, em doze prestações!
Eu e o amigo A tínhamos uma conversa muito cabeça, séria, e angustiante no meio da festa. A gente falava de crise dos 40, velhice, casa própria, liberdade e Phillip Roth. Até que ofereceram um brigadeiro. Cada um pegou um e enfiou na boca.
O amigo A., como eu, não bebe e não se droga. Ficamos ali no canto, com a nossa conversa pesada, até que eu não suportei tanto peso e fui dar uma volta. Foi quando ouvi. “To muito louca por causa daquele brigadeiro.” “Como assim?”
Sim, as mães sempre falam que a gente não deve tomar bebida do copo dos outros. Mas isso era quando a gente era adolescente. Agora somos adultos conversando sobre crise dos 40. E elas nunca tinham nos alertado sobre brigadeiros.
“Será que bateu?”, pergunta o amigo A. “Claro que não, é psicológico, relaxa.” “Eu to achando o chão meio molinho e to andando meio moon walking. Será que isso significa que bateu?”, ele diz.
Concluímos que tinha batido quando percebemos que não tínhamos mais a conversa depressiva. Na verdade, estávamos rindo muito e felizes.
Mas eu só vi que estava realmente maluca quando lembrei que tinha mandado um sms de madrugada para a minha mãe contando do tal brigadeiro. Em algum momento me pareceu que ela acharia aquilo tudo muito engraçado.
Ou seja. Pirei. Crise de idade? Imagina, passa outro brigadeiro aí. “Abrindo as tortas e as cucas”
Briga em sala e dois quartos é assim: Um vai para o quarto, o outro vai para sala. Chega a hora da boquinha fim de noite
- James, por favor, traga-me a ceia
Mas nada de James, o mordomo inexistente. Então ele tem que sair do seu bunker e avançar em direção à cozinha. A cozinha é território neutro, mas para chegar até lá é preciso rastejar entre as trincheiras que a separam da sala. E na sala, vocês sabem, está a moça com cara de paisagem, lendo mucho interessada um livro qualquer, de receita, de filosofia sufi, de horóscopo, um romance histórico da Primeira Guerra Mundial, o Diário Oficial, qualquer coisa. Ele consegue atingir um posto mais avançado, consegue seus mantimentos e volta para os seus 18 territórios no final do corredor.
Então é ela que começa a ficar apertada, aquela vontade danada de fazer xixi.
- James, traga-me o pinico, a comadre, qualquer coisa para o meu asseio íntimo
James, quer dizer, Silveirinha, quer dizer, pode ser qualquer um porque o mordomo não existe mesmo, se recusa tal delicadeza. É preciso ir até o banheiro, tomando cuidado com as tropas de reconhecimento do inimigo, tropeçando nas toalhas molhadas e nos aborrecimentos. Não é possível se esconder na casa de banhos da piscina, nem na ala dos empregados, correr para o gazebo ou para o andar salão de jogos,se refugiar na biblioteca ou nas passagens secretas. Foi o Doutor Marinho com a chave na sala de estar. Estamos cercados, não há mais nada a fazer a não ser, a rendição se aproxima.
De trás do sofá, já é possível vê-la tremular. Bandeira branca amor, não posso mais...
Desculpas para a compra (ou às vezes eu surto mesmo)
_É. eu preciso mesmo comprar esse vestido, preciso. É uma compra super útil. Por quê? Oras, pros lançamentos dos meus livros. Se já estão prontos? Bem, o do 02 Neuronio sim. Quer dizer, já mandamos o texto pra editora. O romance eu tenho que entregar até o final do mês. Mas escuta, já estamos no final do mês.
Sim, e ao invés de ficar em casa e acabar, fui lá e comprei um vestido caro para o lançamento do romance que ainda não entreguei. Por que eu fiz isso, heim? Oras, porque estou morrendo de medo de acabar o romance, aí tive a idéia de comprar o vestido pro lançamento do livro que ainda não está pronto. Uma idéia, assim, nossa, incrível. Pior. A loja tinha uma promoção bizarra. Descobri que a grana que gastaria com o vestido poderia ser revertida em outras roupas que somassem o mesmo valor. "Pague e leve em dobro". Ou seja, um passaporte para a loucura humana que se manifesta em surtos de descontroles por peças do Alexandre Herchcovitch.
_Você precisa levar essa calça, Nina. É a calça mais incrível de todos os tempos e ela só fica boa em você. Em mais ninguém. E se você levar o vestido, que é uma peça que você precisa comprar por necessidade, ela vai sair de graça. Sim. E ainda vai dar para levar aquela blusinha.
Claro. Saí da loja com o vestido, a calça e a blusinha. E ainda fiz um desfile particular para amigos com as peças em casa.
Como ser polígamo sem ser canalha? Alguns amigos, que de fato não estão afins de namorar mas também são bacanas o suficiente para se preocuparem em não magoar as meninas, fizeram essa pergunta outro dia. E com as caras assustadas indagavam, " é verdade que existe homem que promete coisas só para conseguir uma transa?". Nessa hora, eu e as moças presentes quase começamos a gritar: "Mas é claro que é verdade! Eles prometem tudo! Eles vêm com conversa de filhinho mesmo sem saber se a gente quer ter filho com eles!"
"Não é possível", eles diziam.
"Pois é, Muitos são assim. Claro." Até que um dos amigos contou que existe mulher assim também e que ele próprio caiu no papo romântico de uma menina que no fim só queria sexo.
E a pergunta inicial, oras, é simples. "É só não prometer nada. Ficar com várias pessoas não quer dizer que você é canalha." E, pensando bem, acho que só o fato deles se se preocuparem com isso já mostra que eles estão bem longe da canalhice. E que pretês legais existem, sim. Aos montes. (Nina Lemos)
- Meu filho, veste logo a calça que a gente tá atrasado pra pegar o avião!
- Não, essa calça é boba.
- Tá, tem essas três calças. Escolhe uma e veste logo.
- Não quero nenhuma! Elas são bobas.
O tempo passa. Várias pessoas se revezam na tentativa de fazer o menino de 3 anos botar uma calça boba. Ninguém consegue, nem a mãe que uma hora apela para a força física e tenta enfiar a calça à força. A amiga e madrinha dá a solução: deixa ele ir de cueca.
- Você vai de cueca, pegar o avião?, apela a mãe.
- Vou!, diz alegre e vencedor.
A vó fica abismada, começa uma gritaria e você sai correndo com um menino de cueca azul em direção do aeroporto. No carro, a última tentativa.
- Filho, se o guarda vir você de cueca, a mãe pode ser presa.
- Presa?
- Sim, filho. Bota a calça pra mamãe não ser presa?
O filho olha com uma cara desconfiada. E bota a calça. E dois minutos depois dorme, profundamente, vestindo uma calça boba.